Plano estratégico de energia elétrica entra na pauta da mineração em Goiás

Plano estratégico de energia elétrica entra na pauta da mineração em Goiás

MINDE participa de reunião com SGG e FGV para discutir planejamento de abastecimento para o setor industrial goiano
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Encontro no auditório Henrique Morg, na Fieg, em Goiânia, teve objetivo de apresentar um panorama atual do setor mineral goiano e contribuir com dados técnicos para subsidiar o planejamento energético do estado (Foto: MINDE)

O Sindicato da Indústria da Mineração do Estado de Goiás (MINDE) participou, nesta quarta-feira (11/02), de reunião estratégica com a Secretaria-Geral de Governo (SGG) e representantes da Fundação Getulio Vargas (FGV) para discutir a elaboração de um plano estadual de abastecimento de energia elétrica voltado ao setor industrial, com foco especial na mineração.

O encontro foi realizado no auditório Henrique Morg, na Fieg, em Goiânia, e teve como objetivo apresentar um panorama atual do setor mineral goiano e contribuir com dados técnicos para subsidiar o planejamento energético do estado. A previsão é que o plano esteja concluído até 2027.

Energia é gargalo para novos projetos

Durante a reunião, o MINDE apresentou informações sobre o crescimento da mineração em Goiás, destacando que o custo e a disponibilidade de energia elétrica são hoje um dos principais entraves à implantação de novos projetos. A maior parte dos empreendimentos precisa arcar com investimentos significativos em infraestrutura de transmissão, o que impacta diretamente o CAPEX dos projetos. Em muitos casos, a rede elétrica não está disponível nas proximidades das áreas minerárias.

Quando não há viabilidade imediata de conexão à rede, as empresas recorrem à geração própria, geralmente a diesel — solução que eleva custos operacionais. Alternativas como energia solar, biomassa e biogás também foram citadas como possibilidades futuras, mas ainda carecem de estrutura e planejamento integrado.

Na prática, grandes projetos exigem grandes investimentos em transmissão e conexão à rede. Já empreendimentos menores tendem a assumir sistemas próprios de geração, igualmente onerosos. Em ambos os casos, a energia se torna um fator determinante para a viabilidade econômica.

Consumo expressivo e projeções futuras

O consumo de energia na mineração goiana já atinge níveis expressivos. Há empreendimentos cujo uso energético se aproxima do consumo de grandes centros urbanos. Além disso, novos projetos de verticalização mineral, como os ligados à cadeia da bauxita e do níquel, devem ampliar significativamente essa demanda nos próximos anos.

Outro ponto levantado foi a inexistência, atualmente, de um mecanismo claro e eficiente que permita às empresas buscar apoio estruturado do Governo do Estado para solucionar essas demandas energéticas. Cada projeto acaba tratando o tema de forma isolada, o que amplia custos e reduz previsibilidade. A construção de um plano estadual com base técnica e projeções consolidadas pode representar avanço estratégico para reduzir gargalos, aumentar competitividade e sustentar o crescimento da mineração em Goiás.

Parceria técnica e levantamento de dados

A equipe da FGV apresentou a metodologia inicial de trabalho e sinalizou a abertura de diálogo técnico com representantes do setor mineral para levantamento detalhado de informações sobre consumo atual, investimentos previstos e projeções de expansão. O MINDE colocou-se à disposição para colaborar com dados e articulação junto às empresas associadas, contribuindo para que o plano reflita a realidade operacional da mineração em Goiás. A expectativa é que o planejamento energético fortaleça a competitividade do setor, reduza gargalos estruturais e consolide a mineração como vetor estratégico de desenvolvimento industrial no Estado.

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